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Por: - Urologista - CRM/SC 12492 RQE 10675
Publicado em 31/07/2017 - Atualizado 07/02/2019

Circuncisão: quando é necessário realizá-la?

Circuncisão: quando é necessário realizá-la?

A circuncisão é uma intervenção cirúrgica comum em todo o mundo. Alguns estudos científicos ressaltam seus benefícios, mas também há quem considere o procedimento desnecessário quando realizados de maneira rotineira. Segundo a Academia Americana de Pediatras (AAP), os benefícios da prática em recém-nascidos superam os riscos envolvidos, mas também não são grandes o bastante para que a atitude seja recomendada para todos os casos.

O procedimento é usado com mais frequência para tratar a fimose em homens jovens e adultos que tem dificuldade para retrair a pele do pênis. Em outras situações, é indicada para facilitar a cura de infecções locais de repetição. Os benefícios e risco de realizar a cirurgia em bebês devem ser avaliados pelos pais junto com o pediatra.

Como é feita a circuncisão

A circuncisão, basicamente, é feita para separar o prepúcio da glande e remover a pele solta que cobre a “cabeça” do pênis. Há duas formas de o urologista realizar o procedimento. Uma delas é cirúrgica. O médico interrompe a circulação de sangue na região, provocando a morte da pele sobressalente. Sem irrigação, ela cai por conta própria.

Quando essa alternativa é usada em bebês, a cirurgia costuma ser rápida. Em cinco ou 10 minutos está concluída. Em homens adultos o tempo necessário para fazê-la é de aproximadamente uma hora, sendo a recuperação total em até uma semana.

Normalmente a fimose é associada a doenças sexualmente transmissíveis, infecções urinárias e alguns tipos de câncer, como o de pênis, por causa da umidade no local, a dificuldade de higienização e a existência de células imunológicas que normalmente se tornam alvos do vírus HIV.

Benefícios associados à circuncisão

A redução dos riscos de desenvolver infecções no trato urinário e a menor chance de adquirir uma DST são alguns dos benefícios relacionados a circuncisão. Outro é a possibilidade de, pelo procedimento, ser maior a prevenção do câncer de pênis e menores as chances de o homem ser o agente transmissor do câncer cervical para as mulheres.

Outras vantagens são a prevenção a inflamações da glande e também do prepúcio (balanite e balanopostite), além de servir de tratamento para a parafimose, condição em que a pele não retorna para a posição original. Isso não significa, no entanto, que homens não circuncidados não tem outra alternativa para se proteger contra as doenças e infecções. As boas condições de saúde também podem se manter com a higienização adequada do pênis e o uso de preservativos.

Desvantagens da circuncisão

Os riscos envolvidos na circuncisão vão desde dor até a possibilidade de hemorragia e infecção na região operada. Além disso, pode ocorrer irritação na glande, inflamação na abertura que leva à uretra e menor proteção do pênis contra ferimentos.

O fato é que a realização ou não da circuncisão é uma decisão que depende dos pais, no caso dos bebês, e do próprio homem, quando jovem ou adulto. As informações específicas, relacionadas a cada caso, são mais assertivas quando obtidas com o pediatra ou o urologista. O auxílio médico é sempre o melhor caminho para definir quando é preciso realizar a circuncisão ou qualquer outro procedimento em saúde.

 

Material escrito por:
- Urologista - CRM/SC 12492 RQE 10675

Membro da equipe do NeoUro – Núcleo de Estudos em Onco-urologia Graduação em Medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina (2005). Residência Médica em Cirurgia Geral pelo Hospital Governador Celso...   Ver Lattes