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Publicado em 01/10/2019 - Atualizado 03/10/2019

Desconfie de soluções milagrosas para disfunção erétil

Desconfie de soluções milagrosas para disfunção erétil

A disfunção erétil consiste na incapacidade de manter a ereção do pênis para a realização de uma atividade sexual satisfatória. O problema atinge cerca de 50% da população masculina, na idade entre 40 a 70 anos, ou seja, mais de 100 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, cerca de 16 milhões de homens sofrem com o transtorno.

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A disfunção erétil diminui a qualidade de vida de muitas pessoas, além de comprometer o relacionamento afetivo. Além disso, ela pode ser sinal de alguma doença crônica ou problema psicológico e, por esse motivo, precisa ser devidamente tratada com o urologista. Devido a isso, a disfunção erétil está, cada vez mais, sendo discutida pelos médicos e pacientes, quebrando os entraves do que antes era considerado um tabu.

Mas, ao lado disso, tem-se o avanço de métodos medicamentosos e não medicamentosos ditos “milagrosos” para a solução da disfunção erétil – o que muitas vezes, não é verdade. O medo da impotência sexual, ao lado de discursos sobre a sexualidade masculina, muitas vezes dotados de preconceitos, fazem com que os homens procurem uma medicalização não individualizada e que podem mais prejudicar do que ajudar.

Os principais riscos da automedicação

De todos os métodos para lidar com a disfunção erétil, a automedicação é uma das alternativas mais populares e acessíveis. O citrato de sildenafila, ou sildenafil, conhecido popularmente como viagra, é comumente usado para a impotência sexual e para o tratamento da hipertensão arterial pulmonar.

O medicamento inibe a ação da enzima fosfodiesterase tipo 5 (PDE-5) e permite que o  monofosfato de guanosina (GMP) seja mantido em circulação, relaxando o músculo que regula o fluxo de sangue para o pênis. Quer dizer que ele melhora a transmissão das informações entre as células e inibe a ação da substância de relaxamento dos músculos do pênis, o que leva à ereção. 

No entanto, é necessário cuidado de ingerir o medicamento sem um acompanhamento prévio com um médico. Isso porque o viagra não é indicado para pessoas que tenham:

  • doenças graves de coração ou fígado;
  • sofrido derrame há pouco tempo;
  • doença retinite pigmentosa;
  • iniciado tratamento com medicamentos com óxido nítrico, nitratos orgânicos ou nitritos orgânicos.

O andrologista avalia o histórico clínico do paciente para avaliar qual a melhor opção de tratamento. Além disso, é preciso ter atenção quanto aos riscos de utilizar o medicamento de forma indevida.

Efeitos colaterais

Os efeitos colaterais são considerados leves e transitórios. Entre eles, podemos listar:

  • dor de cabeça;
  • rubor facial;
  • dor no estômago e 
  • congestão nasal

Muitas pessoas acabam consumindo o viagra em excesso, justamente pelo efeito rápido contra a disfunção erétil. No entanto, a droga pode causar dependência e dificultar o tratamento de impotência sexual. Por isso, é bom tomar cuidado e não exagerar!

Como tratar a disfunção erétil

As recomendações e cuidados valem para todas as soluções “milagrosas” que são vendidas. Antes de iniciar qualquer tratamento, pessoas com disfunção erétil devem procurar um andrologista e relatar os sintomas. Somente com ajuda profissional adequada é possível tratar o problema individualmente.

Este acompanhamento individualizado é imprescindível porque existem outras opções que podem ser prescritas, como o uso de medicamentos em spray ou terapia de reposição hormonal. O andrologista poderá aconselhar o acompanhamento psicológico, pois em casos de homens mais jovens, a disfunção erétil está associada ao estresse, depressão e ansiedade. Dessa forma, o tratamento irá devolver a confiança ao homem, para que ele volte a ter relações sexuais e recupere a capacidade de ereção.

Em todos os tratamentos, é importante reforçar, será necessária uma investigação individualizada, com a análise de exames laboratoriais e uma conversa franca sobre o histórico clínico do paciente. As soluções milagrosas são conhecidas assim por prometerem resultados fáceis e generalizados, ou seja, para todas as pessoas, sem o cuidado e atenção à necessidade de cada paciente. 

Se você sofre com a disfunção erétil ou conhece alguém que passa pelo problema, compartilhe o artigo com ele. O importante é conscientizar todos para um tratamento saudável!

 

Material escrito por:
- Urologista - CRM 9576 RQE 6654

Dr. Jovânio é formado em medicina pela UFPel, é especialista em reprodução humana pela Unifesp. É membro da Sociedade Brasileira de Urologia e Membro da Sociedade Internacional de Medicina Sexual. Entre 2013 e 2018 foi Conselheiro Suplente do CRM-SC. Seus principais interesses são a andrologia, medicina sexual e reprodução humana.