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Publicado em 05/04/2021

É normal sentir ardência após a relação sexual?

É normal sentir ardência após a relação sexual?

Em determinados casos, sentir ardência após a relação sexual pode ser normal. Ou seja, em situações sem muita lubrificação, a fricção pode resultar em ardor ao final do sexo, por exemplo.

Por isso, é fundamental que o momento de penetração seja antecedido por carícias e preliminares que estimulam a lubrificação e amenizam esse desconforto.

No entanto, esse desconforto pode persistir após o ato. Da mesma forma, dependendo do contexto, esse pode ser sinal de algum problema que merece maior atenção.

Essa sensação pode estar relacionada à presença de alguma infecção, seja vaginal, peniana ou urinária, além de outras condições mais graves.

Continue a leitura e confira o que significa a ardência após a relação sexual.

O que significa sentir ardência após a relação sexual?

Conforme observamos, a ardência após a relação sexual pode ser considerada normal em alguns casos. De uma forma geral, quando não apresenta problemas graves, esse desconforto pode ser em decorrência de:

  • consequência de muitas relações sexuais seguidas, que deixam a região mais ressecada;

  • falta de lubrificação dos órgãos genitais;

  • alergia a determinado sabonete;

  • alergia ao preservativo e

  • irritação causada pelo tecido das roupas íntimas.

Quando a ardência sinaliza algo sério?

Entretanto, algumas condições que favorecem ardência após a relação sexual podem estar sinalizando algo mais sério. Por isso, fora a ardência, se houver a presença de vermelhidão, corrimento com odor, coceira ou outra lesão genital, deve-se procurar imediatamente um médico especialista.

Dessa forma, é preciso estar atento a esses ou outros sintomas, já que as supostas lesões favorecem a entrada e a instalação de micro-organismos dispostos a desencadear infecções de caráter mais grave ou, ainda, facilitar o contágio de DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis).

Assim, dentre as causas para a ardência após a relação sexual, a infecção urinária é a mais frequente. Por isso, é fundamental estar mais atento sobre essa condição tão comum nos adultos.

Fique atento à infecção urinária

Algumas condições podem ser bastante propícias para o aparecimento do quadro de infecção urinária. São elas:

  • alta frequência de relações sexuais;

  • histórico de infecções anteriores;

  • idade avançada;

  • pedra nos rins;

  • diabetes;

  • tendências genéticas e

  • complicações imunológicas.

Para as mulheres, há, ainda, outros fatores:

  • utilização do DIU (Dispositivo Intrauterino) como método contraceptivo;

  • após a menopausa, as probabilidades de infecção aumentam;

  • mudanças na composição da flora vaginal e

  • gravidez.

Diagnosticada a infecção urinária, o que acontece com o organismo?

A infecção urinária, geralmente, é causada por bactérias, fungos ou vírus. Primeiramente, a infecção se localiza na uretra e, depois, pode se agravar até a bexiga. A mais comum  é a cistite, ocasionada pela bactéria Escherichia coli, que se encontra, inicialmente, no intestino. Normalmente, esse micro-organismo e outros serão eliminados por meio da urina. No entanto, quando o volume urinário é insuficiente, ou mesmo quando a proliferação bacteriana é muito rápida, a infecção urinária se instala.

Sintomas da infecção urinária

É importante ressaltar que os sintomas permanecem por um ou dois dias e, depois, podem voltar a aparecer nas mulheres, ao praticar relações sexuais novamente. Além da queimação ao urinar, outros sinais podem persistir, como:

  • dor nas costas;

  • febre;

  • dor durante as relações sexuais;

  • necessidade de urinar com frequência;

  • sensação de bexiga cheia;

  • ardência no pênis ou na uretra;

  • pressão pélvica e

  • urina de cor turva e odor forte.

Em casos mais graves, é possível encontrar sangue junto à urina.

Como tratar?

Ao identificar estes sintomas, procure imediatamente um médico urologista, já que o diagnóstico também pode sugerir alguma doença sexualmente transmissível. Provavelmente, o especialista irá indicar o uso de antibióticos orais, além de aconselhar algumas medidas importantes, como o aumento da ingestão de água, principalmente.

Outras doenças

Outras causas da ardência após a relação sexual podem ser infecções que não sejam urinárias, como as dos próprios órgãos sexuais. Entre as mais comuns, podemos citar:

  • gonorreia;

  • clamídia;

  • uretrite;

  • cancro mole;

  • tricomoníase;

  • herpes genital e

  • sífilis.

Algumas dessas patologias citadas acima são sexualmente transmissíveis e, por isso, podem ser um risco para o parceiro. Mesmo se houver o uso de preservativos durante a penetração, é essencial haver cuidados extras para evitar a transmissão.

Os sintomas das doenças sexualmente transmissíveis podem variar bastante em si, mas, em geral, apresentam:

  • corrimento anormal;

  • coceira;

  • bolhas ou feridas na área genital;

  • verrugas na área genital que iniciam pequenas e crescem rapidamente e

  • febre.

No caso de haver ardência no pênis, ainda há a possibilidade de envolver outras patologias, como a balanopostite, inflamação da glande e prepúcio por uma infecção bacteriana ou fúngica, ou a Doença de Peyronie, nódulo fibroso que causa a curvatura anormal.

Procure um médico ao ter ardência após a relação sexual

Caso você esteja presenciando ardência no pênis ou na vagina após relação sexual há um tempo e, principalmente, se houver outros sintomas, é essencial procurar por um médico especializado para fazer o diagnóstico e iniciar o tratamento o quanto antes.

É importante ainda ressaltar que muitos pacientes se sentem acanhados em visitar um médico para conversar sobre a sua ardência após a relação sexual, mas isso não é necessário. Faz parte da vida do médico orientar, tirar dúvidas e tratar todos os tipos de doenças para promover mais saúde e qualidade de vida para todos.

Esperamos que esse conteúdo tenha ajudado e que você busque a ajuda médica necessária. Além disso, convidamos você a continuar a leitura no nosso blog e ver as nossas dicas para que a sua relação com o seu parceiro seja ainda melhor. Leia o nosso artigo Quais os segredos para ser “bom de cama”? e saiba mais.

 

Material escrito por:
- Urologista - CRM 4117 RQE 3175

O Dr. Nívio Pascoal é formado em medicina pela UFSC, especialista em urologia e em andrologia. Coordenou o Programa de Residência Médica em Urologia do Hospital Governador Celso Ramos, onde atualmente é urologista. Seus principais interesses são a andrologia, medicina sexual e reprodução humana.