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Publicado em 24/11/2016 - Atualizado 07/02/2019

Pedras nos rins: quando é preciso tratar?

Pedras nos rins: quando é preciso tratar?

Sempre que for constatada a existência de pedras nos rins (litíase), esta condição deve ser tratada, pois como todo problema de saúde que não é curado, pode evoluir e gerar complicações. Mas ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, o tratamento não se resume à cirurgia. Há outras abordagens que o urologista pode empregar para solucionar o problema, dependendo do caso.

Grande parte das pedras podem ser resolvidas com a ingestão elevada de líquido, eliminação de excessos dietéticos e medicação. Quando os cálculos (pedras) são pequenos, saem do rim e passam pelo ureter dentro de três a seis semanas, normalmente causando cólicas. Aquelas em que isso não acontece podem ser removidas ou quebradas com laser. Em ambos os casos, o médico coloca um aparelho no ureter (ureteroscópio) para visualizar, fragmentar e fazer a remoção.

Cirurgia para tratar pedra nos rins é realizada após outros tratamentos

Para a retirada cirúrgica das pedras nos rins há diferentes possibilidades. Uma delas é um procedimento percutâneo, no qual uma agulha é introduzida pela região dorsal até alcançar os rins. Por ela o médico passa um aparelho (nefroscópio) para remover o cálculo ou fragmentá-lo para, posteriormente, retirá-lo. A pessoa que se submete a esse tratamento tem um período curto de hospitalização e se recupera mais rápido do que em uma cirurgia convencional.

Outra forma de tratamento minimamente invasivo é a ureterorenoscopia flexível, um aparelho muito delicado e flexível que alcança os rins através da uretra. Este procedimento, sem nenhum corte, é utilizado de maneira selecionada para a retirada de muitos tipos de cálculos.

Outra forma de tratar as pedras nos rins é pela litotripsia extracorpórea, que utiliza ondas de choque para “desfazer” as pedras, ou seja, transformá-las em “pedaços” menores que possam ser eliminados naturalmente pela urina. A grande vantagem da litotripsia é a de não ser necessária a internação hospitalar. No entanto, só é indicada em algumas condições, pois nem todas as pedras nos rins podem ser “quebradas” por este método.

Como as pedras nos rins se formam

Os cálculos, ou pedras, se formam quando alguns produtos químicos da urina se unem e formam cristais. Essa substância endurecida é o cálculo. A maioria dessas pedras começam a se formar nos rins, que têm a função de filtrar o sangue e eliminar impurezas através da urina. As pedras podem se deslocar pelas vias urinárias, podendo chegar no ureter ou na bexiga.

Em geral, o que propicia a formação das pedras nos rins é a perda excessiva de líquidos pelo suor, sem reposição da hidratação, menor ingestão de água, distúrbios metabólicos (problemas renais, endócrinos e intestinais), excesso de sal e outros condicionantes.

Conhecer todas as possibilidades para buscar a causa real das pedras nos rins com o auxílio do médico urologista é mais confortável, pois evita que a pessoa sofra com os incômodos desencadeados por elas.

Fatores de risco associados à pedra nos rins

O surgimentos dos cálculos está diretamente ligado a alguns fatores, incluindo o tipo de alimentação que a pessoa mantém. A obesidade, a hipertensão, a diabetes e a pouca ingestão de água são os principais fatores de risco associados à pedra nos rins.

A obesidade é um dos fatores predisponentes porque a capacidade natural do organismo de reagir mediante a insulina pode ser comprometida pelo tecido adiposo, revela o médico do Hospital de Mulheres Brigham, de Boston, Massachusetts (EUA), Erick Taylor, autor de um estudo sobre o tema. Segundo ele, “isto poderia causar mudanças na urina e desembocar no desenvolvimento dos cálculos”.

Os dados levantados na pesquisa de Taylor revelaram que os homens que engordaram aproximadamente 17 quilos aumentaram em 40% as chances de ter pedras nos rins em relação aos que mantiveram o peso.

Pessoas com Índice de Massa Corporal elevado e maior circunferência da cintura podem, ainda, apresentar mais cálcio e ácido úrico na urina, o que aumenta o risco de formação de cálculos renais.

O ideal é uma pessoa consumir dois litros de líquido por dia para garantir uma vida saudável e o pleno funcionamento do organismo, especialmente dos rins. Cuidar da saúde desses órgãos, bem como de todo o corpo, só gera benefícios.

Tratamentos recomendados para o cálculo renal

Hoje está mais fácil de tratar a doença devido aos avanços ocorridos na endourologia, ramo da urologia que trata da manipulação endoscópica do trato urinário e é responsável por grande parte dos procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos.

Em oposição à cirurgia aberta, a endourologia é realizada usando pequenas câmeras e instrumentos inseridos no trato urinário. A maior parte dele pode ser alcançado através da uretra. Isso torna possível a cirurgia endoscópica de pedras (cálculos ou litíase urinária) e diversas outras enfermidades, tornando os procedimentos cirúrgicos abertos para tratar os cálculos renais e ureterais quase obsoletos.

A recente introdução de ureteroscopia rígida e flexível melhorou muito a capacidade do urologista em lidar com o problema, enquanto o manejo das pedras no rim foi revolucionado duas vezes no passado imediato: em primeiro lugar, com a introdução de métodos percutâneos para a fragmentação e extração de pedras nos rins, e a aplicação da litotripsia extracorpórea por ondas de choque (LEOC).

Métodos percutâneos

A cirurgia renal percutânea é a forma menos agressiva de tratamento para cálculos renais grandes e que não podem ser tratados adequadamente pela fragmentação com os aparelhos de litotripsia extracorpórea (LEOC). É realizada em centro cirúrgico, sob anestesia geral. A incisão de um centímetro é feita na pele da região dorsal para colocação dos equipamentos usados para retirada das pedras nos rins. A recuperação é muito mais rápida. A internação geralmente se estende por dois a três dias.

LEOC

A litotripsia extracorpórea por ondas de choque revolucionou a terapêutica dos cálculos urinários, transformando-se rapidamente numa importante inovação tecnológica para o tratamento desta doença.

A LEOC é um procedimento terapêutico que não necessita de incisões e é destinado a fragmentar (quebrar) cálculos das vias urinárias por meio de ondas mecânicas de acordo com o tipo de equipamento.

O paciente é colocado deitado em posição dorsal ou ventral (barriga para cima ou para baixo), com a região anatômica onde se encontra o cálculo sobre uma bolha recoberta com gel, por onde as ondas de choque se propagam. Com ajuda da fluo­roscopia (radiografia em tempo real) ou ultrassonografia, o cálculo é posicionado no chamado ponto focal (“mira”).

Iniciam-se então os disparos das ondas que se convergem para este foco, levando à fragmentação do cálculo em pedaços menores, passíveis de eliminação espontânea. É considerado como um procedimento não invasivo, ambulatorial e com baixo índice de complicações.

Obesidade restringe as opções de tratamento

Dependendo do caso, o excesso de peso dificulta o tratamento das pedras nos rins por métodos que já demonstraram ser eficazes, como a litotripsia extracorpórea (LEOC), mas que em pacientes obesos não obtêm os resultados esperados. A justificativa para a eficácia do método ser menor é a distância entre a pele e o cálculo. Em casos em que essa distância excede os 10 centímetros, a LEOC seria menos eficiente.

O tratamento para litíase urinária com melhor retorno para pessoas com o IMC superior a 30 ou o peso acima dos 120 quilos, em alguns casos, pode ser a ureteroscopia, principalmente para aqueles em que pode ser difícil ou contra-indicado realizar a cirurgia percutânea.

Sim, as pedras nos rins podem voltar

Após o tratamento, é muito importante a prevenção da formação de novos cálculos, já que as pedras nos rins podem surgir de forma recorrente, mesmo após já terem sido tratadas ou removidas por cirurgia.

Estima-se que em 50% dos casos, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), as pedras nos rins voltam a aparecer em um período de cinco anos. Por isso, o tratamento efetivo depende mais da investigação da causa específica do que promover a eliminação das mesmas ou tirá-las em uma cirurgia.

O que fazer para se prevenir

Para evitar a formação dos cálculos, principalmente quem já teve anteriormente o problema ou tem casos na família, o principal é dar atenção para a alimentação, pois a composição da urina está diretamente relacionada ao que você come.

As principais ações de mudança nos hábitos alimentares incluem a redução do consumo de sódio e gordura saturada, presentes em grandes quantidades nos alimentos industrializados. Os alimentos muito calóricos também são vilões. Além de substituir comidas prontas por uma dieta a base de alimentos mais naturais, é fundamental aumentar o consumo de líquidos, essencialmente de água.

A nutricionista chefe da divisão de clínica urológica do Instituto Central do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Nídia Denise Pucci, sugere algumas atitudes para evitar a formação dos cálculos renais:

Ingerir no mínimo 2 a 3 litros de líquidos por dia

Tome água, chás de ervas (camomila, erva-doce, cidreira, hortelã) que podem ser consumidos de forma quente ou gelado e de preferência, com limão. Evite refrigerantes ou sucos em pó e artificiais, pois eles aumentam os riscos de os cálculos se formarem. É melhor consumir sucos naturais, sem açúcar.

Lembre-se: para avaliar se a quantidade de líquidos consumida está adequada, observe a urina, que sempre deve estar clara e límpida. Caso contrário, a quantidade de líquidos ingerida deverá ser aumentada.

Cuidado com o sal!

Use o mínimo de sal possível no preparo dos alimentos e não adicione sal na comida. Prefira temperos naturais de ervas para dar sabor e aroma (orégano, salsinha, cebolinha, limão, coentro, salsão ou outros de sua preferência) e evite: azeitonas, bacalhau, salgadinhos, queijos amarelos, temperos e molhos prontos como catchup, mostarda, shoyu, caldos concentrados, molho inglês, sopas de pacote, cubos de caldos de carne e outros. Produtos com glutamato monossódico, embutidos (salsicha, mortadela, linguiça, presunto, salame, paio, carne seca) também devem ficar de fora da dieta. Procure ler os rótulos, pois muitos alimentos industrializados possuem sódio ou glutamato monossódico na composição e não devem ser consumidos.

Frutas e legumes

Consuma frutas pelo menos três a quatro vezes ao dia. Dê preferência à laranja, tangerina e melão. Consuma limonada e laranjada preparadas com a fruta natural, pois o ácido cítrico contido nestas frutas pode auxiliar a evitar a formação dos cálculos.

Legumes cozidos ou crus e verduras de folha devem fazer parte das duas refeições principais (almoço e jantar), pois contém vitaminas, minerais e fibras, auxiliando no bom funcionamento intestinal, na prevenção de doenças e no aumento da resistência do organismo.

Além de tudo isso, procure realizar uma atividade física regular, pois isso auxilia na manutenção de um peso saudável e da saúde. Portanto, procure caminhar ou fazer algum tipo de esporte com regularidade.

E lembre-se de manter a hidratação durante as atividades, pois neste momento pode haver o início de algum cálculo renal devido à falta de água!

 

Material escrito por:
- Urologista - CRM 4265 RQE 1147

Graduação em Medicina pela UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis – SC (1986) Residência Médica em Urologia pelo HGCR – Hospital Governador Celso Ramos, Florianópolis – SC (1990)...