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Por: - Urologista - CRM/SC 12492 RQE 10675
Publicado em 16/01/2015 - Atualizado 07/02/2019

Tratamento do câncer de rim

Tratamento do câncer de rim

Bastante infrequente em pessoas com menos de 45 anos e com incidência mais comum acima dos 64 anos, o câncer de rim é um dos 10 tipos de câncer mais comuns em todo o mundo. O tratamento da doença, no entanto, depende de vários fatores, como por exemplo, o estágio da doença, e deve ser decidido também levando-se em conta as necessidades de cada paciente e os possíveis efeitos colaterais.

Apesar de o Instituto Nacional do Câncer – INCA não oferecer dados estatísticos a respeito deste tipo específico de câncer, um projeto da Organização Mundial da Saúde (OMS) chamado Globocan mostrou que, em 2012, mais de 6 mil brasileiros foram diagnosticados com câncer de rim, a maioria do sexo masculino.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia – SBU, no entanto, os números podem ser bem maiores, entre 14 e 20 mil casos anuais no Brasil, configurando-se na terceira causa mais comum de tumor do trato urinário. O risco de desenvolvimento do câncer de rim é estimado em 1 para cada 63 pessoas (1,6%), sendo maior em homens do que em mulheres.

Desde a década de 90 tem sido percebido um aumento na taxa de incidência, que pode ter relação, entretanto, com a realização de exames de imagem rotineiros mais precisos, como a tomografia computadorizada, capazes de detectar tipos de câncer de rins que antes não eram diagnosticados. Curiosamente, também desde a década 90, a taxa de mortalidade por câncer de rim também tem sofrido leve diminuição, talvez pela maior facilidade no diagnóstico precoce e tratamento.

Causas da transformação das células ainda não são bem conhecidas

Ainda não se sabe bem como as células renais transformam-se em células cancerosas, apesar de que alguns fatores de risco devam ser levados em consideração ainda que não sejam causa direta da doença, como obesidade, tabagismo, exposição ocupacional a certas substâncias (como cádmio, solventes e herbicidas), pressão alta, histórico familiar, alguns medicamentos e alterações genéticas herdadas ou adquiridas, por exemplo.

Os principais sintomas são dor lombar de apenas um lado, sangue na urina, fadiga, perda de apetite, febre, perda de peso, anemia e massa ou aumento de volume na parte lateral ou inferior das costas. Apesar destes e outros sintomas menores também podem ser causados por diversas outras doenças, a orientação é que um médico seja procurado sempre que aparecerem.

Tratamentos podem ser combinados

De acordo com a SBU, o câncer de rim pode se manifestar de duas formas, como tumor do parênquima (carcinoma de células renais) ou do sistema excretor (tumores de vias urinárias). Entre os tratamentos para os casos de tumores parenquimatosos estão a vigilância ativa, a cirurgia, a ablação e outras terapias locais, a quimioterapia, a radioterapia, a imunoterapia ou terapia biológica e a terapia alvo, ou ainda uma ação combinada de duas ou mais ações. Em todos os casos o tratamento deverá incluir uma equipe de especialistas formada por Urologista, Oncologista Clínico, Radioterapeuta e ainda Nutricionistas, Fisioterapeutas, Psicólogos, Assistentes sociais e Enfermeiros.

Vigilância ativa – Usada em pacientes muito idosos e/ou muito debilitados que tenham tumores menores de 4 cm, para serem removidos apenas após este tamanho.

Ablação e outras terapias locais – Têm por objetivo destruir o tumor em pacientes que não tenham condições clínicas para uma cirurgia, ou que apresentem doença pequena e pouco agressiva. A ablação por radiofrequência aquece o tumor por ondas de rádio de alta frequência até destruir as células cancerígenas, utilizando-se de uma sonda fina introduzida através da pele até o rim, guiada por tomografia computadorizada ou ultrassom. A crioterapia, por sua vez, também chamada de crioablação, é o oposto, procura destruir o tumor por gases muito frios introduzidos através de uma sonda que congela as células doentes. Já a embolização arterial bloqueia a artéria que alimenta o rim doente através de um cateter inserido por meio de uma artéria na perna. É um processo mais raro, normalmente usado antes da cirurgia para evitar grandes riscos de hemorragia.

Cirurgia – É o tratamento principal e mais importante para a maioria dos casos de câncer de rim, até mesmo quando há metástase (disseminação das células cancerígenas para outros órgãos). Pode haver remoção parcial (nefrectomia parcial) ou total do rim, bem como da glândula suprarrenal (adrenal) e do tecido gorduroso ao seu redor (nefrectomia radical). Tais cirurgias podem ser realizadas por via aberta ou, quando possível, por via videolaparoscópica (através de pequenos orifícios no abdome). A linfadenectomia regional, na qual são removidos os gânglios linfáticos para análise mais precisa, pode ser necessária no momento da cirurgia, bem como a adrenalectomia, que é a remoção da glândula adrenal, realizada preferencialmente quando ela está acometida ou tem elevado risco de comprometimento pelo tumor. A remoção de metástases, que costuma ocorrer em 25% dos pacientes diagnosticados, pode ser necessária quando pequenos tumores são retirados de outros órgãos afetados pela doença, podendo ser curativa ou até mesmo como tratamento paliativo, para alívio da dor e de outros sintomas.

Radioterapia – Radiações ionizantes procuram destruir ou inibir o crescimento das células cancerígenas. É sabido que o câncer de rim primário quase não responde ao tratamento radioterápico, entretanto suas metástases podem apresentar melhores respostas,  sendo assim utilizado para o alívio de seus sintomas locais, como dor óssea ou compressão de tecidos nervosos.

Quimioterapia – As células tumorais são destruídas através de medicamentos anticancerígenos, mas atinge também as células sadias por ser um tratamento sistêmico. Administrada por via venosa ou oral em ciclos seguidos de períodos de descanso, além de vários efeitos colaterais (queda de cabelo, perda de apetite, infecções, sangramentos, náuseas e vômitos, etc), a grande maioria das células cancerígenas renais são resistentes à quimioterapia.

Imunoterapia – É a estimulação do sistema imunológico para o combate às células doentes através de drogas como acitocinas, proteínas conhecidas como interferon-alfa e interleucina-2. No entanto apenas em pequeno percentual de pacientes submetidos a imunoterapia é capaz de reduzir o tumor.

Terapia alvo – São novos medicamentos que têm muito menos efeitos colaterais, apresentam melhores respostas de combate aos tumores além de serem bem melhor tolerados quando comparados aos quimioterápicos. Indicados em casos de doença metastática, as principais drogas utilizadas são o Sorafenib (que retarda o desenvolvimento em estágio já avançados da doença), o Sunitinib (que age da mesma forma que a anterior mas em outras substâncias e também por via oral), o Temsirolimus (por infusão intravenosa, bloqueia uma proteína celular reduzindo a velocidade da divisão celular), o Everolimus (age da mesma forma que a anterior mas é administrada via oral), o Bevacizumab (bloqueia o aparecimento de novos vasos sanguíneos), o Pazopanib e o Axitinibe (ambas também agem bloqueando o crescimento das células).

Lembre-se que o diagnóstico precoce ainda é o melhor tratamento contra qualquer tipo de câncer. Portanto, marque uma consulta com um especialista e previna-se!

 

Material escrito por:
- Urologista - CRM/SC 12492 RQE 10675

Dr. Ricardo Kupka é formado em medicina pela UFSC. Especialista em urologia e cirurgia geral no Hospital Governador Celso Ramos. Realizou fellowship em Uro-Oncologia pela USP e Hospital Sírio Libanês, e o doutorado em Urologia na USP. É membro da NeuUro - Núcleo de Estudos em Onco-urologia da Uromed. Seus principais interesses são urologia oncológica e tumores urológicos.   Ver Lattes