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Por: - Urologista - CRM 650 RQE 5273
Publicado em 25/11/2019

Dra. Eliete Colombeli explica: sintomas da insuficiência renal em crianças

Dra. Eliete Colombeli explica: sintomas da insuficiência renal em crianças

A insuficiência renal é um problema que atinge muitos brasileiros, inclusive crianças. De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia, o número de pacientes com doença renal e que precisam de diálise cresceu de 42 mil, em 2000, para 122 mil em 2016. Os dados também apontam que mais de 5 mil pessoas fizeram transplante de rim no país – e que, em todos os anos, há um aumento de 10%.

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A insuficiência renal, ou doença renal crônica (DRC), caracteriza-se por alterações no funcionamento do rim e das vias urinárias. Mesmo em crianças, a doença pode levar a consequências graves, como a diálise e o transplante. Por esse motivo, é fundamental perceber os sintomas para o diagnóstico precoce. Assim, recomenda-se que os pais e/ou responsáveis avaliem se a criança:

  • apresenta infecção urinária;
  • tem inchaço (edema) pelo corpo;
  • está com pressão arterial aumentada;
  • tem dificuldade em ganhar peso e crescer;
  • apresenta anemia crônica sem causa aparente;
  • tem presença de sangue na urina.

Para falar mais sobre a insuficiência renal em crianças, a Dra. Eliete Colombeli, especialista em urologia pediátrica na Uromed, membro da Associação Brasileira de Cirurgia Pediátrica e da International Children’s Continence Society (ICSS) ressalta fala sobre alguns cuidados que os pais e/ou responsáveis devem tomar.

Quais são as principais problemas do sistema renal das crianças?

“A insuficiência renal pode ser aguda ou crônica. A doença aguda na infância pode ser causada por isquemia, sepse e medicamentos nefrotóxicos. A doença crônica é mais comumente relacionada a malformações congênitas do sistema urinário (com hipoplasia e displasia renal), a doenças glomerulares e a doenças hereditárias (doença renal policística,  cistinose, síndrome de Alport, entre outras)”, elucida a Dra. Eliete.

A especialista explica que existem três locais anatômicos do sistema renal que apresentam problemas: 

1 – antes que o sangue chegue aos rins; 

2 – dentro dos rins; 

3 – depois que a urina é processada e passa nos ureteres. 

Diante disso, a insuficiência renal aguda pode ser causada justamente por problemas no fluxo de sangue, com perda ou desidratação. Ou, ainda, por resultado de infecções que interferem no trabalho dos rins. 

“A causa mais comum de insuficiência renal súbita ocorre dentro do rim. Conhecida como necrose tubular aguda, é a morte das células dentro do rim que atuam como um filtro sanguíneo. Essas células morrem quando são privadas de oxigênio, muitas vezes devido aos efeitos colaterais de certos medicamentos. Problemas físicos, como pedras nos rins que impedem que a urina se mova facilmente para os ureteres, também podem causar insuficiência renal súbita”, explica Dra. Eliete.

A médica ressalta a importância de um diagnóstico precoce, mesmo na fase de infecção urinária. “As crianças com infecção urinária que recebem tratamento adequado raramente desenvolvem insuficiência renal, a menos que elas tenham anomalias no trato urinário que não podem ser consertadas”, diz.

O tratamento tem por objetivo corrigir as alterações do equilíbrio ácido-básico, eletrolíticas e hematológicas dos rins. Com isso, a criança desenvolve melhores condições para o crescimento e o desenvolvimento. Mas, é importante verificar a periodicidade das infecções, especialmente, em crianças com refluxo vesico ureteral grave. Isso porque elas podem causar a formação de cicatrizes no rim e, como consequência, originar a hipertensão arterial e a doença renal crônica.

Como prevenir a insuficiência renal em crianças?

A prevenção da insuficiência renal em crianças deve ser focada para evitar lesões renais e pode ser feita com a adoção de hábitos simples, mas que fazem toda a diferença para a qualidade de vida. Os principais cuidados devem ser orientados para: 

  • a hidratação, com o consumo de água e outros líquidos. 
  • evitar tomar medicamentos ou outras substâncias que possam danificar os rins.

Antes de medicar a criança, consulte o pediatra para saber sobre os possíveis efeitos colaterais de qualquer medicação. Para completar, a Dra. Eliete reforça: “Pessoas em risco de doença renal crônica (por exemplo, aqueles com uma doença renal pré-existente ou pedra nos rins) devem passar por avaliações mais frequentes no consultório do seu médico”.

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Material escrito por:
- Urologista - CRM 650 RQE 5273

Formado em medicina pela UFSC e especialista em urologia Hospital Estadual Souza Aguiar, o Dr. Reginaldo Oliveira é professor de urologia desde 1969. Já foi presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, secção SC. Seus principais interesses são a uroneurologia e disfunções miccionais.   Ver Lattes