Corrimento masculino: o que pode ser?

Publicado em 20/05/2026 Atualizado em 18/05/2026 Escrito por: Dr. Jovânio Fernandes da Rosa

Corrimento masculino é um sinal que muitos homens ignoram por vergonha ou por não saber ao certo o que significa. Mas o corpo raramente mente — e qualquer secreção fora do normal na uretra merece atenção. Isso porque o corrimento masculino pode indicar desde uma irritação simples até uma infecção sexualmente transmissível que, se não tratada, evolui silenciosamente e causa complicações sérias.

Neste artigo, explicamos as principais causas, o que cada tipo de secreção pode indicar e por que o diagnóstico precoce faz toda a diferença.

O que é considerado corrimento masculino?

A uretra masculina produz pequenas quantidades de secreção em situações normais — como durante a excitação sexual. O problema começa quando essa secreção aparece fora desse contexto, muda de cor, consistência ou cheiro, ou vem acompanhada de outros sintomas como ardor, coceira ou dor ao urinar.

Esse conjunto de sinais, chamado tecnicamente de uretrite, pode ter causas infecciosas ou não infecciosas — e identificar a origem é o primeiro passo para o tratamento correto.

Principais causas do corrimento masculino

Gonorreia

A gonorreia é uma das ISTs mais comuns no Brasil e uma das principais responsáveis pelo corrimento masculino. Ela provoca uretrite com secreção uretral e ardência que costuma aparecer de cinco a sete dias após o contato sexual. O corrimento tende a ser mais espesso, de coloração amarelada ou esverdeada, e pode vir acompanhado de dor ao urinar. O diagnóstico e o tratamento com antibiótico adequado são indispensáveis — tanto para o paciente quanto para o(a) parceiro(a), mesmo que este(a) não apresente sintomas.

Clamídia

A clamídia é ainda mais traiçoeira. Segundo o Ministério da Saúde, entre 70% e 80% dos casos de clamídia não apresentam qualquer tipo de sintoma. Quando aparecem, o homem costuma sentir um discreto ardor na uretra e uma secreção uretral leve, mais perceptível no final do dia ou da noite. Justamente por ser discreta, muitos homens transmitem a infecção sem saber — o que reforça a importância dos exames regulares para quem tem vida sexual ativa.

Tricomoníase

A tricomoníase é uma infecção do trato genital masculino causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, que pode ser assintomática ou produzir uretrite, e ocasionalmente epididimite ou prostatite. Quando sintomática no homem, o corrimento masculino costuma ser mais aquoso, acompanhado de coceira e desconforto urinário. A transmissão é sexual e o tratamento é feito com antiparasitários específicos.

Uretrite não infecciosa

Nem todo corrimento masculino vem de uma IST. Irritações por produtos químicos presentes em sabonetes, lubrificantes ou preservativos com fragrância também podem inflamar a uretra e causar secreção. O mesmo vale para traumas locais. Nesses casos, a secreção tende a ser clara e em pequena quantidade, sem outros sintomas sistêmicos.

Candidíase

Embora frequentemente associada à saúde feminina, acandidíase também afeta os homens, causada pelo crescimento excessivo do fungo Candida na região genital. Pode se manifestar com vermelhidão, coceira e uma secreção esbranquiçada. Situações como uso prolongado de antibióticos, imunidade baixa ou diabetes favorecem o aparecimento da condição.

O que a cor do corrimento pode indicar?

A aparência da secreção ajuda — mas não define — o diagnóstico. De maneira geral:

  • Transparente ou levemente turvo: pode ser clamídia, uretrite não infecciosa ou tricomoníase
  • Amarelo ou esverdeado: mais associado à gonorreia
  • Esbranquiçado e cremoso: pode indicar candidíase
  • Com odor intenso: sinal de infecção ativa que precisa de avaliação imediata

Esses padrões orientam, mas apenas os exames laboratoriais confirmam a causa. Nunca trate por conta própria com base na aparência do corrimento.

Quando procurar um urologista?

Procure avaliação médica se você notar:

  • Qualquer secreção fora do contexto de excitação sexual
  • Ardor ou dor ao urinar
  • Coceira persistente na região genital
  • Vermelhidão, inchaço ou feridas no pênis
  • Corrimento após relação sexual sem proteção

É possível que o homem transmita a doença sem saber, mesmo sem sintomas visíveis — por isso, a avaliação periódica é tão importante quanto buscar ajuda ao primeiro sinal. 

Como é feito o diagnóstico?

O urologista realiza anamnese detalhada, exame físico e solicita exames laboratoriais específicos — como swab uretral, exame de urina e, em alguns casos, testes moleculares para identificar o agente causador com precisão. O tratamento varia conforme a causa: antibióticos para gonorreia e clamídia, antiparasitários para tricomoníase e antifúngicos para candidíase. 

Não adie. O parceiro(a) também precisa ser tratado(a).

Uma das consequências mais subestimadas do corrimento masculino por IST é a reinfecção. Mesmo que o tratamento seja feito corretamente, sem tratar o(a) parceiro(a) — mesmo que ele(a) não tenha sintomas — o ciclo de transmissão continua. O diagnóstico e o tratamento precisam ser simultâneos.

Na UROMED, nossa equipe trata cada caso com sigilo, técnica e acolhimento. Cuidar da saúde sexual não é tabu — é responsabilidade.

Está com corrimento ou outros sintomas urológicos? Não espere piorar. Agende sua consulta agora com nossos especialistas em Florianópolis.


Material escrito por: Dr. Jovânio Fernandes da Rosa
- Andrologia e Medicina Sexual, Reprodução Humana - CRM 9576 RQE 6654

Dr. Jovânio Fernandes da Rosa é médico urologista com especialização em Reprodução Humana, Andrologia e Medicina Sexual. Atua com foco na saúde sexual masculina, infertilidade e disfunções urogenitais, oferecendo atendimento personalizado e baseado em evidências científicas. É membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia e da Sociedade Internacional de Medicina Sexual (ISSM). Com sólida formação […]

Conteúdo que informa e cuida

Acesse nossos artigos sobre saúde urológica, prevenção, tratamentos e qualidade de vida.

Caroço no testículo: o que pode ser?

Leia mais

Como é feita a cirurgia para fimose e o que esperar da recuperação

Leia mais

Sinais do câncer de testículo: como identificar os primeiros alertas e quando procurar um médico

Leia mais