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Por: - Urologista - CRM 5471 RQE 1892
Publicado em 30/11/2015 - Atualizado 07/02/2019

Bexiga hiperativa também pode ser tratada com toxina botulínica

Bexiga hiperativa também pode ser tratada com toxina botulínica

Quando se ouve falar em toxina botulínica, o primeiro pensamento que surge na mente é em relação ao uso da substância para fins estéticos, como na correção das rugas faciais. Quem acredita que a toxina serve apenas para amenizar e prevenir as marcas de expressão na face está enganado. Devido à sua efetividade, segurança e efeito transitório, a toxina é usada no tratamento de inúmeras doenças. Uma delas é a bexiga hiperativa, uma doença comum que atinge cerca de 17% da população europeia e norte-americana.

A principal característica da doença é a necessidade de ir inúmeras vezes ao banheiro, tanto no período diurno como noturno, associada ao desejo súbito de urinar (urgência), podendo ou não ser acompanhada por escapes de urina (incontinência urinária).

Quando a doença não tem causa definida, é denominada bexiga hiperativa idiopática (ou hiperatividade detrussora idiopática). Quando é resultado de doença neurológica, como derrame (AVC), Alzheimer, Parkinson e traumatismo raquimedular, é identificada como bexiga hiperativa neuropática (ou neurogênica).

Tratamentos convencionais nem sempre resolvem o problema

A bexiga hiperativa geralmente é tratada de forma conservadora, por meio do uso de medicamentos. Porém, estas medicações têm uso limitado eventualmente por sua eficácia moderada associada aos efeitos colaterais (boca seca, constipação, cefaleia e náuseas) que não são bem tolerados por alguns pacientes.

Outra forma de amenizar o problema na fase inicial do tratamento é adequando a ingestão de líquidos e realizar exercícios com a musculatura. Nos casos em que a resposta a estas condutas não é satisfatória, pode haver a indicação da aplicação da toxina botulínica.

Por que a toxina botulínica é uma boa alternativa de tratamento

Nos últimos anos a toxina botulínica tem se tornado uma opção para o tratamento de algumas disfunções do trato urinário, como, por exemplo, a síndrome da bexiga hiperativa. Seu mecanismo de ação consiste em causar paralisia ao ser injetada no músculo. A injeção localizada e seletiva produz bloqueio muscular específico e desejado, sem afetar outros órgãos, ou mesmo músculo vizinhos.

O efeito imediato percebido logo após a aplicação da substância é o aumento da capacidade de armazenamento urinário da bexiga, melhor controle voluntário e, por consequência, diminuição dos episódios de perdas urinárias ou urge-incontinência.

Há melhora dos sintomas de modo expressivo em cerca de 80% das vezes, o que acarreta um ganho na qualidade de vida dos pacientes. Mas é preciso alertar que o efeito da toxina botulínica é transitório e dose-dependente, o que torna o tratamento individualizado.

A grande maioria dos estudos usando a toxina no sistema urinário não relatou efeitos colaterais. Porém, o recomendado é de que o intervalo entre as aplicações seja de, pelo menos, três meses e de que seja utilizada a menor dose efetiva possível, também como forma de prevenção à imunorresistência.

O profissional mais indicado para diagnosticar e prescrever o melhor tratamento para a bexiga hiperativa é o médico urologista. O especialista é que cuida das disfunções miccionais, entre outros problemas, e poder conceder as melhores orientação acerca dos incômodos no sistema urinário. Em caso de dúvida, consulte o artigo a respeito deste tema.

 

Material escrito por:
- Urologista - CRM 5471 RQE 1892

Graduação em Medicina pela UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis – SC (1990) Residência Médica em Urologia pelo HGCR – Hospital Governador Celso Ramos (1993) Especialização em Endourologia...   Ver Lattes