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Publicado em 17/11/2015 - Atualizado 07/02/2019

Câncer de pênis pode ser provocado pela falta de higiene da região genital

Câncer de pênis pode ser provocado pela falta de higiene da região genital

O câncer de pênis é um tipo de tumor pouco frequente em nossa região, que ocorre na sua maioria em homens entre 40 e 60 anos. São registrados entre 1 e 2 casos a cada 100 mil habitantes nos países desenvolvidos, já nos países subdesenvolvidos esse número sobe para cerca de 20 casos a cada 100 mil habitantes. A explicação para esses índices está nos fatores de risco para o desenvolvimento deste tipo de tumor, diretamente associados aos problemas de higiene inadequada do órgão sexual masculino, fato mais comum nas regiões com situação sócio econômica menos favorecida, como o Norte e Nordeste do Brasil.

Fatores de risco

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de pênis são a fimose, a higiene precária e as infecções genitais por alguns sorotipos do HPV (vírus do papiloma humano). Essas condições propiciam o desenvolvimento de lesões e feridas que levam ao câncer. Um dos fatores de proteção é a circuncisão, realizada no período neonatal, o que evita que o prepúcio obstrua a glande, provocando dificuldade para a higiene do pênis.

Como identificar o câncer de pênis

O câncer de pênis geralmente apresenta uma lesão cutânea verrucosa, plana ou ulcerada na região genital, sendo que seu diagnóstico se faz através de biópsia ampla e profunda da lesão para avaliar histologia e grau de diferenciação celular.

Diagnóstico

O exame físico detalhado do pênis e regiões das virilhas é fundamental, sendo que linfadenopatias palpáveis (gânglios ou ínguas aumentados) podem ser encontradas em até 54% dos pacientes (embora 40-50% possam ser de natureza inflamatória). O uso de antibióticos por um período de até seis semanas pode ajudar a diferenciar linfonodos inflamatórios daqueles infiltrados pelo tumor.

Os tumores de pênis podem ser divididos em baixo risco (pouco agressivos) e alto risco (muito agressivos). As metástases em outros órgãos ocorrem entre 3 e 12% dos pacientes com câncer de pênis, geralmente surgindo nos pulmões, fígado e ossos.

Tratamento

O tratamento do câncer de pênis é eminentemente cirúrgico. Lesões pequenas, superficiais e pouco agressivas podem ser tratadas com ressecções locais ou até mesmo por terapias ablativas (eletrocoagulação, cauterização química, laser). Entretanto, em geral, ressecções com uma boa margem de segurança se fazem necessárias.

Com o objetivo da preservação da função sexual, sempre que possível, deve-se ponderar a possibilidade de resseção somente da área afetada pelo tumor, com uma margem de segurança (penectomia parcial). Entretanto, em casos de tumores volumosos ou amplamente invasivos, pode ser necessária a ressecção completa do pênis (penectomia radical) e até mesmo dos órgão genitais adjacentes, como bolsa escrotal ou testículos (emasculação).

No caso de suspeita de metástases do câncer de pênis para os gânglios linfáticos inguinais ou pélvicos, é necessária a ressecção deles (linfadenectomias). Em casos de comprovado comprometimento dos gânglios linfáticos ou metástases à distância, a quimioterapia é, em geral, o tratamento de escolha.

Mais informações

Para saber mais detalhes sobre o câncer de pênis, estágios da doença e chances de sobrevida, acesse a página de tratamentos da UROMED e informe-se.

https://uromed.com.br/tratamentos/cancer-de-penis/.

 

Material escrito por:
- Urologista - CRM 8402 RQE 4270

Formado em medicina pela UFSC, o Dr. Luís Felipe Piovesan é especialista em urologia pela Fundació Puigvert, Barcelona, e doutor em urologia pela USP. É coordenador científico do Hospital Governador Celso Ramos e foi vice-presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, secção SC. Seus principais interesses são a urologia oncológica e tumores urológicos.   Ver Lattes